Sobre o “antigamente que era bom”

Em um grupo da minha cidade natal, ao ver pessoas idolatrando a ideia do “antigamente que era bom” sobre jovens a partir dos 14 anos já poderem trabalhar, acabei irritadiço e desabafei nesse texto abaixo:


Gostaria de pontuar uma questão muito importante, que muitos acabam falando o tempo todo e acredito que falam sem pensar: o antigamente já foi.

Vejo que muitos sempre expressam um saudosismo gigantesco de um passado que já acabou.

“Antigamente era assim…”; “Antigamente os jovens já trabalhavam…” etc.

Esse antigamente que muitos recordam frequentemente já acabou, não existe mais. As pessoas mudaram, o governo mudou, a educação mudou, a cultura mudou, a sociedade mudou, a cidade mudou, TUDO MUDOU.

E que bom que tudo mudou, porque isso é sinal de que as coisas andaram, se modificaram.

Não estou dizendo que devemos esquecer ou dar pouca importância ao nosso passado (até porque sou historiador, então vejo extrema importância no nosso passado), mas que devemos analisar o nosso antigamente e todas as mudanças que ocorreram, para que possamos realizar AÇÕES MELHORES no nosso PRESENTE. É o nosso presente que importa, para que possamos fazer um futuro melhor.

Antigamente, muita gente precisava começar a trabalhar bem jovem, mas muitos não conseguiram terminar o ensino fundamental, e muitos mais não conseguiram nem começar uma faculdade.

É isso que vocês querem? Que nossos jovens apenas trabalhem, trabalhem e trabalhem, sem a chance de estudarem dignamente? Que não possam pensar criticamente sobre a sociedade em que vivem?

Acho que precisamos lutar é para que os jovens tenham uma educação melhor desde cedo. Que todos tenham uma boa formação para quando chegarem no “mercado de trabalho”, saibam por quê estão ali, e o que devem fazer para tornar nossa sociedade mais justa.

Então não, eu não defendo que jovens devam trabalhar a partir dos 14 anos. Eu defendo que devemos cobrar dos nossos governantes para que esses jovens recebam uma educação digna, gratuita e de qualidade a partir do momento que entrarem na escola.

Que as famílias de baixa renda não precisem se preocupar com a alimentação da casa, obrigando as crianças a trabalharem para complementarem a renda, e sim que essas famílias sejam amparadas pelo governo, para que essas crianças possam ESTUDAR.

Flávio Moraes (30/12/2020, em meio a uma pandemia)

Pandemia

estava pensando se eu deveria falar sobre isso ou não. mas quer saber? vou falar sim! foda-se!

atualmente estou morando em Curitiba, e desde que começou o isolamento em março, passei a trabalhar de casa e saí apenas umas 4x ou 5x, sendo 1x para dar uma volta pelo quarteirão (e quase morri de raiva pela quantidade de sem noção sem máscara nas ruas). ou seja, já são mais de 6 meses sem dar um passeio, ir em um restaurante, caminhar pelos parques da cidade, sair para o mercado…

sabe o motivo? primeiramente por respeito, para não sobrecarregar o trabalho dos profissionais da saúde que continuam sofrendo pela quantidade de trabalho; depois porque eu não quero morrer, e nem passar essa doença para quem eu amo e quero bem, pois por mais que a chance de morrer seja baixa, ela ainda existe. é como brincar de roleta russa: só tem 1 bala na arma, e pode acertar em você.

agora sabe o que me irrita profundamente? é ver esse tanto de pessoas que continuam achando que a vida está normal, só “um pouco diferente”, e continuam vivendo suas vidinhas normalmente, indo à clubes (me diga pra quê ir em um clube? o que tem de essencial lá?), indo ao shopping (sério que seu consumismo desenfreado não consegue esperar um momento melhor para gastar seu dinheiro com algo que provavelmente você passaria muito bem sem?), indo a bares e restaurantes (não me diga que não consegue cozinhar em casa e precisa sair quase todos os dias para mostrar o quão legal você é… me poupe!). só não vou comentar sobre aqueles que estão fazendo pequenas visitas porque sei quão doloroso é ficar longe das pessoas que queremos bem (estou a mais de 2 anos sem ver minha mãe e amigos próximos, pois não tive chance de voltar à Jataí antes da pandemia).

aí eu fico vendo esse monte de gente fazendo essas burrices e pensando o quão idiotas nós que estamos nos mantendo isolados somos. fica essa quarentena meia boca, sem um mínimo de senso coletivo.

sério que vocês não pensam nos outros? na coletividade? não pensam que seus atos podem prejudicar o próximo? são tão egoístas a esse ponto?

provavelmente não pensam não, porque se pensassem não teriam votado nesse ser que está na presidência, que deixou mais de 147.494 pessoas com nome, sobrenome e endereço, morrerem. que está deixando o Brasil queimar de uma forma dolorosa.

sabe o que quero? que vocês engulam o egoísmo de vocês e experimentem seu próprio gosto amargo.

Flávio Moraes (ainda no dia 06/10/2020, em meio a uma pandemia)

Escritos de Um Dia Qualquer #9

Chega a ser engraçado esse sentimento, de querer morrer, desaparecer no ar. Ele chega do nada, em um dia ruim, assim como a água que volta a correr pelas tubulações depois de ficar algumas horas contida em um reservatório gelado. Meu corpo está gelado agora, mas lá fora não está tão frio assim. Deve ser o frio desse sentimento que inundou meu corpo. Acho que agora a caixa d’água já deve estar cheia, pois não ouço mais a correria da água.

Flávio Moraes (26/08/2020 em meio a uma pandemia)

Escritos de Um Dia Qualquer #8

Tantos segredos a noite esconde.
Quem é aquele que corre pelas ruas desertas?
O que é aquilo na árvore?
Aquele poste ilumina os amantes.
Os faróis ligados mostram caminhos a serem feitos.
Um carro para e as portas se abrem.
Você entra e eu decido nossa próxima jornada.

Flávio Moraes (12/08/2012)

“o que cabe em nossas mãos” – Colagem Digital

o que cabe em nossas mãos

O ser humano possui uma habilidade fantástica, que às vezes não damos tanto valor: o controle de nossas mãos.
Com as mãos podemos criar obras lindas (claro que também existem pessoas que conseguem criar obras magníficas sem as mãos), pinturas, esculturas, livros e principalmente afeto, como um carinho ou aperto de mão. Mas são essas mesmas mãos que podem agredir, destruir, queimar e várias outras coisas terríveis. Assim como a magia, não existem mãos boas ou más, apenas mãos, e somos nós que decidiremos o que fazer com elas. 

O que você quer fazer com as suas mãos?


Se você gostou da colagem que acabou de ver, siga meu perfil do instagram @emerald.colagens, onde posto uma nova arte todos os dias.

“Santíssima Vaca” – Colagem Digital

Santíssima Vaca

Para essa colagem, a música “Vaca Profana” na versão da Gal Costa foi o que dominou o ambiente. Fiquei com ela na cabeça, até que cheguei na deusa egipcia Hathor, uma deusa que geralmente é representada como uma vaca. Uma divindade feminina, forte, e sempre representada com um disco solar na cabeça.

“Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas”
(Música Vaca Profana)


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